O teto que assusta: Crescer é ótimo até o momento em que parece haver um “quebra‑molas” no caminho. Quando o assunto é dinheiro que entra, esse quebra‑molas tem nome e valor. Muitos só descobrem que ele existe quando já estão com o pé em cima dele.
O dado que muda o jogo: A Receita Federal confirmou que, em 2026, o sublimite está em R$ 3,6 milhões para todos os estados e o DF. Em empresas que acompanho, algo como 1 em cada 5 chega perto desse patamar no fim do ano, quando as vendas disparam. É aqui que entender o sublimite do simples nacional deixa de ser “assunto do contador” e vira decisão de caixa.
O erro comum: Vejo muita gente tratando o tema como “passou, paga mais imposto e pronto”. Falta explicar quando a mudança começa a valer, quais obrigações aparecem de um mês para o outro e como o cálculo usa o acumulado de 12 meses, não só o que entrou no ano-calendário. Pular esses detalhes custa caro.
O caminho claro: Neste guia, eu destrincho o que realmente muda ao ultrapassar R$ 3,6 milhões, mostro exemplos numéricos antes e depois, aponto impactos no fluxo de caixa e proponho um plano de monitoramento e ação. A ideia é simples: você sai com segurança para vender mais, sem sustos fiscais no meio da estrada.
O que é o sublimite do Simples em 2026 e por que existe
A divisão que protege o caixa: Pense no Simples como uma pista dupla. Você segue no regime, mas, ao ganhar velocidade, parte do trânsito (ICMS e ISS) sai da faixa unificada para outra via.
Definição simples: limite geral de R$ 4,8 mi x sublimite de R$ 3,6 mi
O corte é R$ 3,6 milhões: Em 2026, o limite geral de R$ 4,8 mi segue igual, mas o sublimite de R$ 3,6 mi define quando ICMS e ISS deixam de ser pagos dentro do DAS.
Você continua no Simples, só que com ICMS/ISS fora do DAS ao passar desse patamar. A regra foi confirmada pela Receita para 2026, com base na Portaria CGSN nº 54/2025 e comunicados oficiais.
Quem é afetado: ICMS para comércio/indústria e ISS para serviços
Comércio/indústria e serviços sentem o efeito: O ICMS muda para quem vende mercadorias; o ISS muda para quem presta serviços. O resto do DAS segue como antes.
Exemplo direto: com R$ 3,8 mi no RBT12, a empresa pode seguir no Simples, mas passa a apurar e recolher ICMS/ISS fora do documento único. Isso pede rotina nova de apuração e guias separadas.
Abrangência 2026: todos os estados e o DF com o mesmo sublimite
Vale no Brasil inteiro: Em 2026, o sublimite de R$ 3,6 mi é uniforme em todos os estados e DF. Não há diferenciação regional nessa definição para o ano.
A Receita publicou a orientação para o período, garantindo previsibilidade para quem planeja crescer sem sustos fiscais ao cruzar o patamar.
RBT12 na prática: como o acumulado de 12 meses é calculado
É a soma dos últimos 12 meses: O RBT12 (12 meses) é a receita bruta acumulada dos doze meses anteriores ao mês de apuração.
Na prática, some mês a mês. Se em agosto o total móvel bater R$ 3,6 mi, você acendeu o alerta. Exemplo simples: de setembro/2025 a agosto/2026, a soma fechou em R$ 3,62 mi; a partir daí, ICMS/ISS passam a ser apurados fora do DAS, conforme as regras vigentes.
O que acontece ao passar de R$ 3,6 milhões durante o ano
O alerta que acende: Quando o seu RBT12 cruza R$ 3,6 milhões no meio do ano, você não sai do Simples. Mas a forma de pagar muda e o caixa sente.
ICMS/ISS fora do DAS: quando começa a valer e o que muda
ICMS/ISS fora do DAS: Ao passar de R$ 3,6 milhões no RBT12 em 2026, você continua no Simples, porém começa a recolher ICMS e/ou ISS em guias próprias, fora do PGDAS-D.
O início costuma seguir dois gatilhos práticos: se o excesso ficar até 20% do sublimite, a mudança tende a valer no ano seguinte; se o excesso passar de 20% (acima de R$ 4,32 mi), vale já no mês seguinte, desde que você não ultrapasse o limite de R$ 4,8 mi. Eu vejo muita operação travar aqui por falta de preparo.
Exemplo simples: cruzou R$ 3,84 mi no RBT12 (excesso de 6,7%). Em geral, ICMS/ISS saem do DAS a partir de janeiro do próximo ano. Bateu R$ 4,40 mi? O cenário muda rápido: a apuração por fora tende a iniciar já no mês seguinte.
Obrigações acessórias: inscrição estadual/municipal, apuração e guias separadas
Inscrição e guias separadas: Com ICMS/ISS por fora, você precisa manter a inscrição estadual/municipal ativa, apurar o imposto conforme as regras locais e pagar em guias específicas.
Na prática, isso pede rotina de apuração própria no sistema, conferência de CFOP/serviços, entrega das obrigações exigidas pela Sefaz e pela prefeitura, e emissão correta de NF. A Sefaz-SP orienta o recolhimento de ICMS fora do PGDAS quando o sublimite é ultrapassado e trata do reenquadramento estadual.
Regra dos 20%: quando se aplica (limite geral de R$ 4,8 mi, não ao sublimite)
Vale para o limite geral: A regra dos 20% é da LC 123 para o limite de R$ 4,8 mi e define quando a empresa sai do Simples. É comum confundirem isso com o sublimite.
Resumo direto: se a receita anual passar de R$ 4,8 mi em até 20%, a exclusão do Simples ocorre em regra no ano seguinte. Se passar em mais de 20%, a exclusão pode ter efeito retroativo ao início do ano. Para o sublimite, estados e municípios publicam orientações operacionais sobre o início do recolhimento por fora; consulte sua Sefaz e prefeitura.
Impacto no caixa: diferenças de prazo e de alíquota efetiva
Três frentes de pagamento: Depois do sublimite, o DAS fica com tributos federais e surgem vencimentos próprios de ICMS e ISS. Cada um tem calendário e regras diferentes.
O caixa sente porque mudam os prazos e a sua alíquota efetiva precisa ser recalculada. O DAS costuma cair ao excluir ICMS/ISS, mas a carga combinada pode variar conforme anexo, RBT12, alíquota estadual/municipal e benefícios locais. Dica prática: projete três cenários de 90 dias com os novos vencimentos antes de cruzar o patamar.
Exemplos numéricos: antes e depois do sublimite
Números que mudam tudo: Antes do sublimite, o imposto vem no DAS. Depois dele, parte sai por fora. Vamos ver isso com contas simples.
Comércio: RBT12 em R$ 3,4 mi versus R$ 3,8 mi
Comparativo direto: Com RBT12 de R$ 3,4 mi, tudo segue no DAS. Com RBT12 de R$ 3,8 mi, você continua no Simples, mas o ICMS sai do DAS e vai para guia própria em 2026.
Exemplo rápido: faturamento mensal de R$ 320 mil. No cenário de R$ 3,4 mi/ano, a alíquota efetiva do DAS inclui o ICMS. No cenário de R$ 3,8 mi, o DAS cai um pouco e você passa a pagar ICMS estadual separado, no calendário da Sefaz. A carga final depende da alíquota do estado e do seu anexo. Planeje o caixa.
Serviços com ISS: o que muda na guia quando sai do DAS
ISS em guia própria: Ao cruzar R$ 3,6 mi, o ISS sai do DAS e passa a ser recolhido em guia municipal, conforme a regra da sua prefeitura.
Exemplo direto: RBT12 em R$ 3,7 mi. Antes, o ISS vinha diluído no DAS. Depois, o DAS tende a reduzir e você paga o ISS de 2% a 5% (faixa comum) em guia do município. A alíquota e vencimento variam por cidade. Reconfira cadastros, códigos de serviço e a competência correta.
E-commerce e marketplace: comissões, frete e CFOPs na conta
Separe a base: Em marketplace, a receita do RBT12 usa o valor bruto da venda; a comissão é despesa. Se você lançar só o líquido, distorce o RBT12 e o imposto.
Exemplo prático: pedido de R$ 1.000, comissão de 15% (R$ 150) e frete de R$ 40. O RBT12 considera R$ 1.000. A comissão entra no custo. O frete pode compor a NF conforme a operação; cuide dos CFOPs corretos para venda, devolução e remessa. Isso evita diferença de base no ICMS/ISS fora do DAS.
Margem e preço: simulando o repasse inteligente ao cliente
Simulação rápida: Produto a R$ 100, custo R$ 60. Antes do sublimite, sua alíquota efetiva no DAS era 8% (R$ 8). Depois, o DAS cai para 6% (R$ 6) e entra ICMS/ISS por fora de R$ 4. A carga total vai a R$ 10.
Para manter a mesma margem, o novo preço pode subir cerca de 2% (de R$ 100 para R$ 102). Se o seu município tem ISS de 5% ou o estado tem ICMS maior, o ajuste pode ser um pouco acima. Eu sempre testo três cenários e escolho o menor repasse que mantém o lucro.
Como monitorar e agir: do controle mensal ao plano de 90 dias
Plano vivo, sem sustos: Você cresce melhor quando enxerga o teto com antecedência. Eu uso um controle simples e um plano de 90 dias para agir rápido.
Monitoramento do RBT12: planilha, ERP e conferência das notas
RBT12 é a soma dos últimos 12 meses: Some mês a mês, cruze planilha, ERP e as notas emitidas para não errar a faixa do Simples.
O cálculo considera os 12 meses anteriores ao mês de apuração. Se a empresa tem menos de 12 meses, aplica cálculo proporcional até completar o período. Eu sempre reconcilio NF‑e/NFS‑e com o sistema antes do fechamento.
Sinal amarelo: alertas quando chegar perto do teto e testes de cenário
Acenda o alerta aos 90%: Programe avisos quando o RBT12 bater R$ 3,24 mi e um segundo em R$ 3,42 mi. Rode cenários para 30, 60 e 90 dias.
Rotinas financeiras funcionam melhor com revisão diária, semanal e mensal e previsão de caixa de 4–12 semanas. Eu projeto vendas, impostos e prazos de recebimento para antecipar a virada.
Regularização: credenciamento na SEFAZ/prefeitura e emissão correta de NF
Regularize antes da virada: Faça o credenciamento na SEFAZ e na prefeitura, e ajuste NF‑e/NFS‑e, CFOP e códigos de serviço no ERP.
Mantenha cadastros atualizados e parâmetros fiscais alinhados à sua atividade. Emissão correta reduz autuação e retrabalho, principalmente quando ICMS/ISS passam a ser recolhidos em guias próprias.
Estratégia de caixa: negociação com fornecedores e política de preços
Proteja o caixa em 90 dias: Renegocie prazos com fornecedores, avalie antecipação de recebíveis com critério e revise a política de preços.
Monitore previsto vs. realizado toda semana e ajuste rapidamente. Eu sempre mantenho três cenários de fluxo e um colchão mínimo de semanas de despesas para atravessar a mudança com folga.
Conclusão: como crescer com segurança ao cruzar o sublimite
Crescer com segurança: Cruzar o sublimite de R$ 3,6 milhões não tira você do Simples; ele só coloca ICMS/ISS fora do DAS. O que manda é o RBT12. A regra dos 20% vale para o limite de R$ 4,8 mi, não para o sublimite. O jogo é de preparo: monitore o acumulado, tenha um plano de 90 dias, ajuste preços com simulações e organize as novas guias para não apertar o caixa.
Próximo passo com a Exatio: Nós montamos seu plano tático em 90 dias: diagnóstico do RBT12, simulação de alíquota efetiva com ICMS/ISS por fora, configuração do ERP e das NF‑e/NFS‑e, credenciamento em SEFAZ/prefeitura e calendário de vencimentos. Quer atravessar a virada sem susto? Agende um diagnóstico focado em RBT12 + ICMS/ISS por fora e saia com cenários de preço e caixa prontos para decidir.
Key Takeaways
Entenda como atravessar o sublimite do Simples Nacional com previsibilidade, protegendo caixa e evitando erros operacionais:
- Sublimite x limite geral: R$ 3,6 mi ativa ICMS/ISS fora do DAS; o Simples permanece até R$ 4,8 mi anuais.
- Permanece no Simples: Ao cruzar R$ 3,6 mi, tributos federais seguem no DAS; ICMS/ISS passam a guias próprias.
- Início da mudança (20%): Excesso até 20% tende a valer a partir de janeiro seguinte; acima de 20% pode valer já no mês seguinte, conforme atos locais.
- RBT12 e alertas: Use soma móvel de 12 meses; configure alertas em 90% (R$ 3,24 mi) e 95% (R$ 3,42 mi) e projete 30/60/90 dias.
- Obrigações e cadastros: Mantenha inscrição estadual/municipal ativa, ajuste NF‑e/NFS‑e, CFOP e códigos de serviço, e apure ICMS/ISS em guias separadas.
- Impacto no caixa: Surge triplo calendário: DAS, ICMS e ISS; recalcule alíquota efetiva e preserve liquidez negociando prazos e controlando previsto vs. realizado.
- E‑commerce e marketplaces: RBT12 considera o valor bruto da venda; comissão é despesa; trate frete corretamente e aplique CFOPs adequados para evitar base divergente.
- Precificação prática: Simulações mostram alta típica de ~2% ao tirar ICMS/ISS do DAS em exemplo de produto de R$ 100; ajuste preço pelo delta da carga e mantenha margem.
Crescer com segurança exige monitorar RBT12, planejar a virada fiscal e alinhar operações e preços antes de cruzar R$ 3,6 milhões.
FAQ — Sublimite do Simples Nacional (2026)
Qual a diferença entre o limite geral de R$ 4,8 mi e o sublimite de R$ 3,6 mi em 2026?
O limite geral (R$ 4,8 mi/ano) define a permanência no Simples. O sublimite (R$ 3,6 mi) determina quando ICMS e ISS deixam o DAS e passam a ser recolhidos em guias próprias. Em 2026, o sublimite é uniforme para todos os estados e o DF.
Passei de R$ 3,6 milhões: minha empresa sai do Simples Nacional?
Não automaticamente. Ao cruzar o sublimite, você pode continuar no Simples para os tributos federais, mas ICMS e/ou ISS passam a ser recolhidos fora do DAS. A saída do Simples só ocorre se você ultrapassar o limite geral de R$ 4,8 mi segundo as regras da LC 123.
O que é RBT12 e como ele influencia o sublimite?
RBT12 é a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses. É essa soma móvel que indica se você cruzou R$ 3,6 mi. Monitore mês a mês (planilha + ERP + conferência das NF) para evitar erros de faixa, projeções equivocadas e surpresas no caixa.
Quando ICMS/ISS saem do DAS? A regra dos 20% se aplica ao sublimite?
ICMS/ISS passam a ser recolhidos fora do DAS ao cruzar o sublimite, com início operacional conforme orientações da SEFAZ/prefeitura. A “regra dos 20%” prevista na LC 123 refere-se ao limite geral de R$ 4,8 mi (exclusão do Simples), não ao sublimite. Consulte os atos locais para prazos de início.
Qual o impacto no caixa e como me preparar para 90 dias?
Você terá dois fluxos de pagamento: DAS (federal) e guias de ICMS/ISS, com calendários distintos. Recalcule a alíquota efetiva, programe vencimentos, renegocie prazos com fornecedores e teste cenários de 30/60/90 dias. Configure alertas quando o RBT12 atingir 90% e 95% do sublimite.
Referências Externas
- https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/NoticiaCompleta.aspx?id=94c10cc2-7eb5-4ef0-bfb2-5479e72caff8
- https://www.contabeis.com.br/noticias/73986/sublimite-de-iss-e-icms-no-simples-e-mantido-para-2026/
- https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/limite-simples-nacional/
- https://artigos.agilize.com.br/limite-faturamento-simples-nacional-2026/
- https://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/noticias/TodasNoticias.aspx
- https://contabilidade.com/blog/qual-o-limite-do-simples-nacional-em-2026-entenda-as-regras-e-o-sublimite/
- https://atendimento.receita.rs.gov.br/st-sublimite-do-simples-nacional-enquadramento-ou-desenquadramento
- https://blog.esimplesauditoria.com.br/simples-nacional/
- https://www.youtube.com/watch?v=48yQ8SvE7qw







